Álvares de Azevedo

| segunda-feira, 21 de março de 2011 | |

Manuel Antônio Álvares de Azevedo foi um poeta, contista e ensaísta, nasceu em São Paulo em 12 de setembro de 1831, e faleceu o Rio de Janeiro, RJ, em 25 de abril de 1852. Patrono da Cadeira n. 2 da Academia Brasileira de Letras, por escolha de Coelho Neto. 
Era filho do então estudante de Direito Inácio Manuel Álvares de Azevedo e de Maria Luísa Mota Azevedo, ambos de famílias ilustres. Segundo afirmação de seus biógrafos, teria nascido na sala da biblioteca da Faculdade de Direito de São Paulo; averiguou-se, porém, ter sido na casa do avô materno, Severo Mota. Em 1833, em companhia dos pais, mudou-se para o Rio de Janeiro e, em 1840, ingressou no colégio Stoll, onde consta ter sido excelente aluno. Em 1844, retornou a São Paulo em companhia de seu tio. Regressou novamente ao Rio de Janeiro no ano seguinte, entrando para o internato do Colégio Pedro II.
Em 1848 matriculou-se na Faculdade de Direito de São Paulo, onde foi estudante aplicadíssimo e de intensa vida literária participando ativamente, fundando inclusive a Revista Mensal da Sociedade Ensaio Filosófico Paulistano. Entre seus contemporâneos, encontravam-se José Bonifácio (o Moço), Aureliano Lessa e Bernardo Guimarães estes dois últimos foram suas maiores amizades em São Paulo, com os quais constituiu uma república de estudantes na Chácara dos Ingleses. O meio literário paulistano, impregnado de afetação byroniana, teria favorecido em Álvares de Azevedo componentes de melancolia, sobretudo a previsão da morte, que parece tê-lo acompanhado como demônio familiar. Imitador da escola de Byron, Musset e Heine, tinha sempre à sua cabeceira os poemas desse trio de românticos por excelência, e ainda de Shakespeare, Dante e Goethe. Proferiu as orações fúnebres por ocasião dos enterros de dois companheiros de escola, cujas mortes teriam enchido de presságios o seu espírito. Era de pouca vitalidade e de compleição delicada; o desconforto das “repúblicas” e o esforço intelectual minaram-lhe a saúde. Nas férias de 1851-52 manifestou-se a tuberculose pulmonar, agravada por tumor na fossa ilíaca, ocasionado por uma queda de cavalo, um mês antes. A dolorosa operação a que se submeteu não fez efeito. Faleceu às 17 horas do dia 25 de abril de 1852, domingo da Ressurreição. Como quem anunciasse a própria morte, no mês anterior escrevera a última poesia sob o título “Se eu morresse amanhã”, que foi lida no dia do seu enterro, por Joaquim Manuel de Macedo.
Entre 1848 e 1851, publicou alguns poemas, artigos e discursos. Depois da sua morte surgiram as Poesias (1853 e 1855), a cujas edições sucessivas se foram juntando outros escritos, alguns dos quais publicados antes em separado. As obras completas, como as conhecemos hoje, compreendem: Lira dos vinte anos; Poesias Diversas, O Poema do Frade e O Conde Lopo, Poemas Narrativos; Macário, “Tentativa Dramática”; A noite na Taverna, Contos Fantásticos; a terceira parte do romance O livro de Fra Gondicário; os estudos críticos sobre Literatura e civilização em Portugal, Lucano, George Sand, Jacques Rolla, além de artigos, discursos e 69 cartas.
Preparada para integrar As Três Liras, projeto de livro conjunto de Álvares de Azevedo, Aureliano Lessa e Bernardo Guimarães, a Lira dos vinte anos é a única obra de Álvares de Azevedo cuja edição foi preparada pelo poeta. Vários poemas foram acrescentados depois da primeira edição (póstuma), à medida que iam sendo descobertos.
fonte de pesquisa: Academia Brasileira de Letras

Os poemas de Álvares de Azevedo muitas vezes, (se não a maioria delas) relatava um ambiente romântico difuso, enevoada, a mulher também pertence a esse mundo de sonhos, descrita como virgem, pálida, comparada a um anjo.
Pálida à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar! na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre as nuvens d’alvorada!
Que em sonhos se banhava e se esquecia

(...)
Lira dos Vinte Anos 2.ed.

2 Comentários (Comente aqui!):

Laerte Says:
23 de março de 2011 14:43

POxa, coitado morreu tão jovem!!! Não conheço muitas obras dele mas o poema citado mostra que ele sabia escolher as palavras. Ótimo post. Abraços a toda a equipe.

Laerte Lopes - Blog Medo

This Gomez Says:
24 de março de 2011 14:46

Este é o meu xodó entre os poetas *.*
Acredito que Manuel - Álvares - teve uma intensa produção literária nos anos que antecederam sua morte porque, de um jeito ou de outro, isso acabaria aocntecendo cedo demais. Ele partiu muito jovem, mas deixou coisas o suficiente para ser lembrado e estudado por anos.

Li A Noite na Taverna e mesmo os romances são bem macabros, o que mostra um pouco de quem era ele, naquele tempo.

Estou lendo A Lira dos Vinte Anos e me impressiona que não possa nascer um Álvares de Azevedo a cada 20 anos... O mundo precisaria daquela mesma mente gentil, só que com outra visão do tempo e da vida ^^

Beijoss!

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