Resenha - Diário de um Anjo, Mandy Porto

| domingo, 29 de maio de 2011 | |



        Bom, devo começar esta resenha dizendo que li o livro em menos de 48 horas, praticamente sem conseguir soltá-lo até a conclusão [que dá um gostinho de quero mais...]

        Apesar de ter acabado de dizer que o livro me deixou com aquela sensação de “quero mais”, isso se deu porque ainda há mais possibilidades de acontecimentos interessantes neste mundo criado pela Mandy, em que anjos e demônios caminham entre os mortais.





        Mas não esperem por um Apocalipse, e sim uma trama interessante que me fez matar um pouco a saudade de um dos seriados mais legais sobre as irmãs bruxas e os anjos, os Anciões... só que o livro da Mandy ainda conseguiu a façanha de deixar a linha entre o bem e o mal mais tênue, e não há o comum maniqueísmo dos personagens em si ― ao menos, não de todos, claro, pois todos os arquétipos estão presentes na obra, desde os vilões tipicamente vilões [cujos nomes não vou revelar para não estragar a história para vocês] até os mocinhos, claro. Mas até mesmo os “mocinhos” têm características humanas, ou seja, não são o tempo todos pregadores da paz e aquela chatice toda que vemos nos mocinhos tipicamente idealizados ao extremo.



        Já vi, obviamente, resenhas extremamente negativas sobre esse livro, assim como também vi que as pessoas que realmente gostaram da obra, gostaram muito. Eu que adoro quando temas dos quais eu gosto como anjos, demônios, bruxas etc. Aparecem numa obra de ficção de um jeito atraente para a leitura, me interessei pelo livro apesar de todas as resenhas negativas e me surpreendi, no bom sentido, claro.

        Sim, concordo com muita gente num ponto: A Novo Século marcou feio em não dar para o livro uma revisão mais apurada, assim como também não lançou o livro a tempo da Bienal do ano passado. O livro da Mandy merecia mais cuidado editorial e mais atenção por parte da editora.

        Vocês podem até se perguntar: “Mas Ana, eu sei que você é super exigente em relação a livros e...” A resposta é, sim, eu sou mesmo. Mas eu resolvi passar por cima do fato de que o livro poderia ter tido um cuidado melhor na revisão e resolvi lê-lo e digo: não me arrependi e amei a história.

        Porque a história é ótima. Eu desisti de outros livros [cujos nomes prefiro não citar para não ofender quem gostou deles] com temática de Anjos/YA por não acontecer nada durante vários capítulos. E “Diário de um Anjo” prende desde o começo. Os capítulos relativamente curtos são “page turners” e eu só consegui parar o primeiro “round” da minha leitura quando cheguei a um ponto da trama em que o primeiro arco da história era concluído.

        Eu gosto de tramas bem montadas, bem conectadas, com twists interessantes e uma abordagem não comum de temas sobrenaturais e para quem, como eu, também é fã de uma boa história sobrenatural/YA, “Diário de um Anjo” não pode ficar de lado.

        A trama mescla os anjos ― mais especificamente anjos da guarda ― com, inclusive, a existência de outros seres, como as fadas, não se limitando à mitologia cristã. Porém, quando a autora menciona elementos, tanto da mitologia cristã como de outras mitologias que já conhecemos, ela o faz dando uma boa impressão de ter feito uma pesquisa boa para lhe servir como base.

        Como ela mesma me confirmou, sim “Charmed” teve muita influência na criação da história, mas não esperem algo como uma cópia de “Charmed”, mas saibam que as homenagens estão lá, como na existência dos Anciões [Anjos-Anciões, como em “Charmed”, porém com o uso da nomenclatura da mitologia cristã dos anjos. A presença da fadinha em um momento muito legal da história também me fez lembrar de um episódio de “Charmed”, mas, e... vou contar só mais uma: tem até alguém na história com sobrenome Halliwell. Para quem não sabe ou não se lembrava disso, Halliwell é o sobrenome das irmãs-bruxas em “Charmed”.]




        É uma pena que os melhores momentos da história, os pontos realmente mais interessantes sejam extremamente spoilers, então eu vou falar, a seguir, e citar alguns trechos dos mais legais, mais belos e mais divertidos ― sim, temos momentos de sarcasmo, ironia, alegria, piada, mesmo quando se tem que lutar contra demônios tentando destruir a Humanidade, a Mandy consegue deixar o livro com um ar tão legal e cativante que vamos seguindo e nos importando com o que acontece com os personagens, pois até mesmo personagens secundários são relevantes e encantadores ― ou desprezíveis.

        Um dos pontos que mais gostei também foi a presença de bruxos-magos e não bruxas, como costuma ser costumeiro em sobrenaturais YA.

       
        A história se passa no Rio Grande do Sul, uma cidade infestada por demônios que Lizzie não só consegue ver como... spoiler aqui.

        “Seus olhos eram totalmente pretos, seu rosto e corpo pareciam que haviam sido queimados, era difícil olhar para aquele ser. [...] Aquilo com certeza era um demônio.”




Lizzie [Elizabeth] começa a redigir seu diário quando faz 18 anos, em fevereiro de 2012 [o ano previsto pelos Maias como o ano em que o mundo vai acabar]. É interessante que diversas profecias de fim de mundo já existiram na história da Humanidade, e uma delas, inclusive, foi no ano de 999 d.C. Mas Lizzie não tem, ao menos não na forma profetizada, que lidar com o Apocalipse em si; porém, ela descobre [ou melhor, é a ela revelado], aos 18 anos, que é filha de um Anjo. E as implicações disso vão muito além de ser uma mistura de anjo com mortal, o que resulta em uma nova espécie totalmente diferente. Ela descobre isso e conhece seu próprio anjo da guarda, e, em poucos dias, sua vida até tal momento “normal” fora virada de cabeça para baixo. Apesar de tudo, Lizzie consegue lidar muito bem com a descoberta de quem ela é, de seus poderes, ela consegue lidar bem com os Tronos.

        Ok, você me pergunta, quem são os Tronos? Eu gostei da forma como esse site explica, então vou citar a explicação deles e colocar o link do site no final da resenha:

É o nome dado à categoria angelical que inspira os homens à arte e à beleza. São representados nas pinturas como Anjos jovens, bonitos, segurando uma harpa, uma cítara ou algum outro instrumento musical. Simboliza as forças criativas em ação. Ajuda-nos a contemplar o futuro. São extremamente sentimentais e estão sempre prontos a ajudar. Mesmo que não tenham tido oportunidades para estudar, sabem falar com perfeição sobre qualquer assunto. Exteriormente passam a ideia de retraídos e tímidos, mas na realidade, são desconfiados e procuram evitar situações que possam lhes causar sofrimento. Adoram consultas oraculares. Tem facilidade em fazer projeção astral e cortar, através dos sonhos, coisas ruins que poderiam acontecer. Tem o grande defeito de não saberem se impor, por isso sentem dificuldade em dizer "não", ficando magoados com facilidade e sofrendo calados com certas atitudes das pessoas que querem bem. São românticos e gostam de ficar sozinhos, ouvindo música ou apenas em silêncio. Doces, ternos, só conseguem produzir no trabalho quando está tudo bem, principalmente o lado afetivo. Ouvem sempre seu coração. (1)
        É interessante analisar os Tronos do livro e ver que, mesmo que eles tentem ocultar comportamentos totalmente coerentes com a descrição e definição acima, os Tronos de “Diário de um Anjo” batem muito com essa definição deles.

        Mas um dos pontos mais legais é a heroína feminina. Bem, embora ela sonhe com o casamento, tenha vários ideais “idealizados” da vida como ela deveria ser, ela não é dependente de seu amado Luke, e sabe se virar sozinha às vezes muito melhor do que seu amado. Lizzie literalmente sai chutando bundas de demônios e ainda por cima consegue resolver coisas mais intricadas na trama [que não vou revelar por ser, obviamente, spoiler].

        Os pensamentos de Lizzie às vezes são torrentes emocionais, mas é justamente seu lado emocional, passional, totalmente voltado a ajudar os outros, mas sem deixar de cuidar de si, mesmo se expondo a situações complicadas na história, Lizzie é uma personagem interessante. Ela sonha em ser a princesa dos contos de fadas, mas na verdade é uma mulher que consegue se virar sozinha às vezes melhor do que muitos dos adultos na história.

        E Luke? O contraponto inicial de um Luke certinho com a Lizzie toda avoada gera situações cômicas [e algumas embaraçosas também]:

“― Vocês anjos pesquisam? ― Por que será que perto desse cara eu falava coisas sem pensar? Eu não era assim, sempre penso antes de falar.

Quando ela diz que leva vantagem sobre ele, porque nós, humanos, temos o Google para pesquisar... hehehe =]




        “Ele me acompanhou por toda a minha vida? Isso é perturbador. Ele deve saber tudo sobre mim.

        Lizzie fica perturbada, inicialmente, com a situação em que se encontra, descobrindo não só um mundo novo e num período curto de tempo, como sentimentos novos também. Mas não é só Lizzie que passa por mudanças. Luke também é um personagem que começa o livro de um jeito e evolui muito até o final. Aliás, a evolução dos personagens é um outro ponto alto da autora, pois uma das coisas mais irritantes do mundo, ao menos para mim, num livro, é a falta de evolução dos personagens.

        E, em termos de evolução de personagens, eu posso dizer que Lilith é minha favorita, a que teve uma curva de aprendizado não só mais difícil, como mais complexa até do que a de Lizzie, Luke, dos protegidos de Lizzie, de sua mãe e, bem, quanto ao pai de Lizzie, Daniel, digamos que você terá surpresas, pois, supostamente ele está morto, é um anjo caído por ter se rendido ao amor [sim, os Anciões são chatos assim mesmo, e também têm dois pesos e duas medidas, como em “Charmed”, embora eu tenha gostado bastante do andamento da trada de “Diário de um Anjo”, que não ficou na mesmice e colocou os personagens em situações em que eles acabam se rendendo a seus desejos ― ou não ― sejam eles bons ou ruins. E tudo isso torna os personagens mais reais.

        “― Daniel foi o anjo que derrotou um demônio chamado Azazel, também conhecido como filho de Lúcifer.”






E Daniel é o pai de Lizzie. E parece que a mãe dela sabe mais do que revela...

Os anjos só podem matar quando vêem os demônios perpetrando maldades na frente deles... até que algo acontece e... eu me lembrei do que acontece na Guerra dos Anéis, do Lanterna Verde, em que é dada a autorização para o uso da força letal com os anéis, de certa forma algo similar acontece em “Diário de um Anjo”.



        Logo no começo do livro, Luke já explica quem são as Tríades dos Anjos, e vários outros elementos da mitologia da obra vão sendo explicados em seu devido momento, e não fica didaticamente chato justamente porque quase sempre é Luke que está fazendo comentários ou digressões ou mesmo explicações a respeito desses elementos e ele tem, em sua personalidade, o hábito de falar das coisas como se estivesse numa conferência, algo bem peculiar e que chega a ser engraçado no personagem, especialmente quando ele fica meio irritadinho em relação ao nome que eles escolheram para a forma de transporte dos anjos.

        Quando Luke fala sobre os anjos serem expulsos do céu por amarem dá uma raiva dos Anjos, mas aguardem surpresas na trama que compensam por alguns dos dogmas deles. Se eu falar mais do que, vai ser spoiler, então...



Então vou terminar por aqui, convidando você que curte uma boa trama YA-sobrenatural, com ação rápida o tempo todo, momentos de romance na medida certa, sem cair no exagero, não deixando o livro com um tom de romance meloso e chato, em momento algum, enfim, por todos os motivos que já apresentei acima, procure ler esta obra, é bem capaz de você curtir.

        E termino com uma citação de dois dos momentos mais engraçados do livro [momentos estes que, obviamente, no contexto, ficam ainda melhores!]:

        “Sou um anjo que não dorme, Elizabeth, provavelmente já li todos os livros que existem.”
        “Você tem que limpar sua casa, tem três cadáveres apodrecendo lá. ― Nossa! Como posso ser sutil, nosso momento estava tão perfeito, eu tinha que estragar.  Mas quando disse isso ele fez uma careta que me fez rir, depois ele riu.”

        Especialmente esta última citação... no contexto fica bem mais divertida, ainda mais porque a tiradinha [Lizzie sempre tem um jeito irônico de lidar com as coisas mais complexas, embora ela saiba quando se desesperar, claro] fica ainda mais engraçada quando se sabe, detalhadamente, o que aconteceu antes, e se acompanhou o como, e todo o desenrolar e... bem, se você curtiu todos os pontos que já apontei, corra atrás do livro para ler. Espero que gostem tanto quanto eu. [Que não vejo a hora de sair “A Filha da Escuridão”] 



(1) Para saber mais sobre os Tronos e outros anjos visite! http://www.portais.org/_anjos/tronos.htm



E o livro pode ser adquirido diretamente com a autora clicando aqui!


Resenha Especialmente feita para o A Few of Dark pela minha querida amiga, Ana Death Duarte!


E não deixem de conhecer os outros blogs dela:


ICult Generation e Personal Death


5 Comentários (Comente aqui!):

Ana Death Duarte Says:
30 de maio de 2011 01:53

Ficou linda a postagem, Mr. Snake! S2
E realmente, um dos pontos mais altos do livro é ter uma história com começo, meio e fim, mesmo tendo "continuações"! Isso é algo extremamente animador para quando eu tenho de optar por ler trilogias ou séries: nada de enrolação. ^^

Diana Godoy Says:
30 de maio de 2011 03:43

Ana, adorei sua resenha. Arrasou mais uma vez trazendo referências de outroas fontes pra ilustrar sua opinião.
Também era fã de Charmed. :)
Este livro já está na minha pilha de leitura e em breve quero apreciá-lo.

Parabéns pelo blog.

My little world of books Says:
30 de maio de 2011 04:11

Anaaaaaaaa OMG que ótima ficou a resenha!!! O.O Amei as suas palavras e as fotos, MEU DEUS, adorei!!!! Muito obrigado por todo o carinho e por ter ido atrás e ler meu livrinho!!! Fico feliz além de dar conta que vc tenha gostado dele, adoro-te menina!

Beijos!
Mandy Porto

Bruno Varela Chaves Says:
30 de maio de 2011 12:10

Como sempre a Ana faz excelentes resenhas, e como já disse pra ela um dia ela me deixa pobre, sempre indicando ótimos livros, tá aí mais um pra lista. Outra história que envolve anjos que num seja a la Twilixo XD
Gostei bastante quando der comprarei.

Bjs.

Paros28 Says:
30 de maio de 2011 15:46

Aninha arrasou, uma resenha decente do livro, já que os pseudoblogueiros escritores, denotaram com ela, só podia ser você com sensibilidade e bom gosto entender o livro de maneira exata.

Parabéns Aninha!!!

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